O que uma planta que nunca morre nos ensina sobre o tempo
- jardimverticalgoia
- 18 de jul.
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Desde sempre, a relação humana com a natureza foi ancorada na aceitação dos ciclos da vida. Planta-se uma semente, ela cresce, floresce, e uma hora seca. É um lembrete diário, silencioso, de que tudo o que vive também se transforma — e, eventualmente, se vai.
As plantas preservadas quebram esse ciclo pela primeira vez de forma sistemática. Uma folhagem estabilizada por glicerina não cresce, não pede água, não perde a cor, não murcha. Ocupa um espaço curioso entre o vivo e o eterno: manteve a textura, o peso, a flexibilidade de quando estava em pleno vigor — mas parou ali.
Talvez o valor dessas plantas não esteja apenas na estética ou na praticidade. Talvez esteja em nos colocar diante de uma pergunta simples: o que significa, para nós, conviver todos os dias com uma natureza que não envelhece?
Não é uma pergunta com resposta fácil. Mas é o tipo de reflexão que está no coração da Filosofia Lobão de Biofilia — a ideia de que a forma como nos relacionamos com o que é natural, mesmo quando estabilizado pela técnica, diz muito sobre como nos relacionamos com nossa própria passagem pelo tempo.
Fica a provocação para quem chegou até aqui.
Mauricio Lobo Lopes (Lobão) é idealizador da Filosofia Lobão de Biofilia.
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